A América do Sul enfrentou dois episódios sísmicos de grande magnitude em 2026. Em agosto, um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia, deixando pelo menos 111 mortos e centenas de feridos. Em junho, dois fortes terremotos atingiram a Venezuela. Entenda o que aconteceu, por que a região registra atividade sísmica e o que esses acontecimentos nos ensinam.


Um forte terremoto atingiu a Colômbia

Em 10 de agosto de 2026, um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia.

O epicentro foi registrado na região de San José del Palmar, no departamento de Chocó. Segundo informações divulgadas pelo USGS e pela imprensa internacional, o tremor ocorreu a aproximadamente 107 quilômetros de profundidade.

ShakeMap do terremoto de magnitude 7,4 ocorrido próximo a San José del Palmar, na Colômbia, em 10 de agosto de 2026. Fonte: USGS.

O terremoto provocou danos em diversas localidades, incluindo Cali, Pereira, Quibdó, Armenia e Manizales. Prédios foram danificados, algumas estruturas desabaram e equipes de emergência foram mobilizadas para procurar pessoas que poderiam estar presas nos escombros.

Nas últimas atualizações consultadas, o número de mortos havia chegado a pelo menos 111 pessoas, com centenas de feridos. Como as operações de resgate e avaliação dos danos continuam, o balanço pode mudar.


O terremoto foi sentido além da região do epicentro

Um terremoto dessa magnitude pode ser percebido a grandes distâncias.

Relatos indicaram que o tremor foi sentido em diferentes regiões da Colômbia e também em países próximos. A cobertura da AP registrou impactos em áreas como Cali, Pereira, Quibdó e Manizales.

A localização do epicentro não significa necessariamente que os maiores danos ocorrerão exatamente naquele ponto.

A intensidade dos efeitos pode variar conforme a distância, a profundidade do terremoto, as características do solo e a qualidade das construções.


Por que os danos podem ser tão diferentes de uma cidade para outra?

Quando ocorre um terremoto, a magnitude é apenas uma parte da história.

Diferentes fatores podem determinar o impacto de um tremor:

Por isso, dois locais relativamente próximos podem experimentar consequências bastante diferentes durante o mesmo terremoto.


A Venezuela também enfrentou fortes terremotos em junho

Deslocamento do solo associado aos terremotos que atingiram a Venezuela em junho de 2026. Imagem: NASA Earth Observatory/Lauren Dauphin, dados NISAR.

Algumas semanas antes do terremoto colombiano, a Venezuela havia passado por uma sequência sísmica importante.

Em 24 de junho de 2026, dois terremotos de grande magnitude atingiram o norte do país.

O USGS registrou um primeiro terremoto de magnitude 7,2 e, apenas 39 segundos depois, um segundo evento de magnitude 7,5.

O USGS classificou o primeiro evento como um foreshock — um tremor que precedeu o evento maior — e o segundo como o terremoto principal da sequência.

A sequência ocorreu no norte da Venezuela, a oeste de Caracas.

Além dos efeitos diretos dos tremores, o USGS avaliou que a sequência poderia provocar deslizamentos de terra significativos em determinadas áreas.

Existe relação entre os terremotos da Venezuela e da Colômbia?

Essa é uma pergunta que pode surgir naturalmente.

Os terremotos aconteceram no mesmo continente e em um intervalo relativamente curto, mas isso não significa que um tenha causado o outro.

Não devemos apresentar os acontecimentos como se fossem partes de um único terremoto ou de uma sequência comprovadamente conectada.

Terremotos precisam ser analisados individualmente, considerando suas falhas geológicas, localização, profundidade e demais características.

Por isso, no PLURAL ALÉM, vamos tratar os eventos como episódios sísmicos distintos.


Por que a América do Sul registra tantos terremotos?

Mapa das placas tectônicas da Terra e de seus limites, regiões onde se concentra grande parte da atividade sísmica. Fonte: USGS — Earthquake Science Center. Public Domain.

Para entender os terremotos é preciso conhecer um pouco sobre as placas tectônicas.

A superfície externa da Terra é formada por grandes blocos chamados placas tectônicas. Elas estão em movimento constante, embora esse movimento seja extremamente lento em comparação com a percepção humana.

Em algumas regiões, placas se afastam; em outras, aproximam-se ou deslizam lateralmente.

Esses movimentos podem acumular tensão nas rochas.

Quando a tensão ultrapassa a resistência das estruturas geológicas, ocorre uma ruptura ou deslocamento repentino. A energia liberada se propaga na forma de ondas sísmicas.

É isso que percebemos como um terremoto.

A região oeste da América do Sul possui uma história de intensa atividade tectônica, o que ajuda a explicar a ocorrência de grandes terremotos em países como Colômbia, Equador, Peru e Chile.


Magnitude e intensidade significam a mesma coisa?

Não.

Essa é uma diferença importante para quem acompanha notícias sobre terremotos.

Magnitude

A magnitude está relacionada ao tamanho do terremoto e à energia liberada na região onde ele ocorreu.

É por isso que ouvimos expressões como:

“terremoto de magnitude 7,4”.

Intensidade

A intensidade descreve os efeitos do terremoto em determinado lugar.

Uma mesma ocorrência pode produzir efeitos diferentes dependendo da distância do epicentro, do solo e das construções.

Portanto, magnitude e intensidade não são simplesmente duas formas diferentes de dizer a mesma coisa.


O que são réplicas?

Depois de um terremoto de grande magnitude, podem ocorrer outros tremores.

Esses eventos são chamados de réplicas.

Eles podem acontecer durante horas, dias ou períodos mais longos após o terremoto principal.

Algumas réplicas são pequenas e praticamente não são percebidas pela população.

Outras podem ser suficientemente fortes para provocar novos danos, principalmente quando construções já foram enfraquecidas pelo primeiro tremor.

Por isso, depois de um terremoto importante, as autoridades continuam monitorando a região.


É possível prever um terremoto?

Essa é uma das perguntas mais comuns.

A resposta curta é: não existe atualmente uma maneira confiável de prever exatamente quando, onde e com qual magnitude ocorrerá um terremoto.

Os cientistas conseguem:

Tudo isso é extremamente importante para a prevenção.

Mas monitorar uma região é diferente de conseguir dizer:

“Um terremoto acontecerá amanhã, às 15h, neste ponto.”

Essa previsão precisa e antecipada não é atualmente possível.


O que fazer durante um terremoto?

Conhecer algumas medidas básicas pode ser importante.

Uma recomendação amplamente utilizada internacionalmente é:

Abaixe-se, proteja-se e segure-se.

Se estiver dentro de uma construção, procure proteção contra objetos que possam cair.

Evite ficar próximo de janelas e objetos que possam se desprender.

Depois que o tremor passar, fique atento a possíveis réplicas e siga as orientações das autoridades locais.

Em uma situação real de emergência, as instruções dos serviços oficiais de emergência devem sempre ser priorizadas.


Por que imagens e informações oficiais são tão importantes?

Quando acontece um desastre, as redes sociais rapidamente ficam cheias de fotografias, vídeos e relatos.

Alguns são verdadeiros.

Outros podem estar fora de contexto, ser antigos ou mostrar acontecimentos ocorridos em outro local.

Por isso, uma informação compartilhada muitas vezes não é suficiente para confirmar o que aconteceu.

Para o nosso artigo, vamos priorizar dados de instituições como USGS, além da cobertura de veículos jornalísticos reconhecidos.

Isso não significa que toda informação publicada por uma grande organização esteja automaticamente correta. Significa que podemos verificar a origem e comparar informações.


O que podemos aprender com esses acontecimentos?

Os terremotos que atingiram a América do Sul em 2026 mostram como fenômenos naturais podem transformar rapidamente a rotina de milhares de pessoas.

Mas também mostram a importância da informação.

Conhecer os riscos da região onde vivemos, entender como funcionam os terremotos e saber como agir durante uma emergência pode fazer diferença.

Mais do que acompanhar imagens de destruição ou números de vítimas, compreender o fenômeno ajuda a transformar uma notícia preocupante em conhecimento.


PLURAL ALÉM: ir além da notícia

O PLURAL ALÉM nasceu com a proposta de conectar pessoas, informação e diferentes perspectivas.

Por isso, quando um acontecimento chama a atenção, queremos fazer mais do que reproduzir uma manchete.

Queremos ajudar o leitor a entender:

O que aconteceu?

Por que aconteceu?

Como isso afeta as pessoas?

O que podemos aprender?

Onde encontrar informações confiáveis?

Esse é o nosso jeito de conectar.

PLURAL ALÉM — Nosso jeito de conectar.

📚 Fontes e referências

U.S. Geological Survey (USGS) — Terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia
Dados técnicos sobre o terremoto de 10 de agosto de 2026, incluindo magnitude, localização e profundidade. USGS — M 7.4 na Colômbia

U.S. Geological Survey (USGS) — Sequência de terremotos na Venezuela em 2026
Informações sobre os dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 registrados no norte da Venezuela em 24 de junho de 2026. USGS — 2026 Venezuela Earthquake Sequence

Associated Press — Terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia
Informações sobre os impactos, danos e operações de resgate após o terremoto. AP News — Magnitude 7.4 na Colômbia

Reuters — Terremoto de magnitude 7,4 atinge a Colômbia
Cobertura jornalística do terremoto, danos e evolução do número de vítimas. Reuters — Colombia earthquake

U.S. Geological Survey — Earthquake Hazards Program
Informações científicas gerais sobre terremotos, riscos sísmicos e monitoramento de atividades sísmicas. USGS — Earthquake Hazards Program

Uma resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *